domingo, 18 de setembro de 2011

Ibitiúra um causo pra relembrar e descontrair.

Hoje, como em todo final de semana vou até Ibitiúra para ver meus pais, parado a frente a igreja matriz tive a lembrança de minha infância passada naquele local, durante aproximadamente quinze anos, após a transferência do padre Pogetto para a cidade de Caldas, como coroinha que fui tinha a missão de semanalmente subir até a torre para dar corda no relógio, evidentemente que vez ou outra saboreava o suculento vinho do padre, porém um fato pitoresco que não me esqueço foi o dia em que um milagre lá ocorreu, vou narrar o fato minuciosamente, Zé Norma era um senhor que cuidava dos jardins ao redor da igreja e na praça central, corria atrás da molecada que não respeitava a placa (Mostre sua educação, não pise na grama) e justamente usavam como campo de futebol, pois naquela época  se jogava bola ou ia nadar no rio jaguarí, só que o fato não é este, o Zé Norma mascava um cigarro de palha o dia todo e quando lhe amargava a boca dispensava o pito onde estivesse, jogando-o ao chão.
Fato é que como vigiava mais ao redor da Igreja, em frente a farmácia do Seu Abílio que outros locais, se tropeçava nos cigarros de palha dispensados por Zé Norma, certo dia fui dar corda no relógio e ao chegar na porta lateral lá vi aproximadamente um dúzia de pitos de palha, como todo bom coroinha sempre fui arteiro. E naquela malandragem de criança sem maldade peguei um daqueles cigarros amarelados por saliva e borra de fumo e o levei para dentro da Igreja já com o pensamento sapeca, para os que não sabem o padroeiro de Ibitiúra é São Benedito http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Benedito e no interior do templo existe uma imagem em tamanho natural do citado padroeiro, podem adivinhar o que fiz, coloquei o cigarro atrás da orelha da imagem pensando que ao verem iriam chamar atenção de Zé Norma quanto a limpeza ao redor da igreja, como em toda cidade do interior todas as Carolas tinha a chave da igreja não era diferente em Ibitiúra, a dona Vitória ao recepcionar alguns amigos chiques que moravam na capital paulista e vieram conhecer as montanhas de Minas evidentemente os levou para conhecerem  o interior da igreja, que diga-se de passagem é muito bonita e uma das únicas naquele tamanho que não possuem colunas em seu interior, como devotos de São Benedito os paulistas juntamente com a senhora Vitória foram fazer a oração de praxe, etc..., só que tamanho o susto foi quando avistaram o cigarro atrás da orelha do santo, dona Vitória passou mal e teve que ser atendida pelo seu Abílio que lhe encheu o nariz com um algodão ensopado com éter, e como era espirituoso já imaginando que todo mundo iria saber que o autor da arte seria eu imediatamente disse (milagre, milagre, AAlfredo o vendedor de remédios disse que havia parado de fumar a seis meses devido a uma promessa que fez para o santo), sei dizer que os paulistas chinques saíram acreditando na história e até hoje poucas pessoas sabem da verdade.
Em resumo, Zé Norma continuou a fumar e jogar as bitucas no chão, continuei dando corda no relógio, dona Vitória levava todos na Igreja para mostrar o santo milagroso, aliado aos que desejam deixar de fumar, já o seu Abílio, esse sim permaneceu no sacerdócio fazendo seus milagres, pois era o único (farmaceutico-médico) da cidade sem  hora ou dia.  

Um comentário:

  1. hehe!!! bem lembrado!!! Zé norma!!! eu tremia de medo dele quando ele pegava a gente subindo em árvores da praça!!!
    Tem o detalhe também, que ele vivia com o dedo no nariz!! rsrs.
    ABC

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